Enxergar duas imagens de um mesmo objeto é uma experiência desconfortável e, muitas vezes, assustadora. A boa notícia é que a visão dupla, chamada de diplopia, quase sempre tem uma causa identificável, e o estrabismo está entre as mais comuns, principalmente em adultos.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria em Sorocaba, e neste texto explico o que é a diplopia, quando ela se relaciona ao estrabismo e quando merece atenção urgente.
O que é diplopia?
Diplopia é a percepção de duas imagens de um único objeto. Pode acontecer de forma constante ou apenas em determinadas direções do olhar, e pode afetar um olho isoladamente ou os dois juntos.
Diplopia é sempre sinal de estrabismo?
Não necessariamente. A diplopia pode ter origem no próprio olho, como em casos de catarata ou alterações na córnea, situação chamada de diplopia monocular. Mas quando a visão dupla desaparece ao fechar um dos olhos, chamada de diplopia binocular, geralmente indica que os dois olhos não estão trabalhando alinhados, o que aponta para o estrabismo.
Como diferenciar diplopia monocular de binocular?
Um teste simples ajuda a identificar o tipo: feche um olho de cada vez e observe se a visão dupla continua. Se ela desaparece ao fechar qualquer um dos olhos, é diplopia binocular, relacionada ao alinhamento entre os olhos. Se persiste mesmo com um olho fechado, é diplopia monocular, e a causa está dentro daquele olho especificamente.
Esse teste é apenas um indicativo inicial. A avaliação oftalmológica completa é o que confirma a causa exata.
Quando a diplopia é uma emergência?
Alguns sinais associados à visão dupla pedem avaliação médica imediata:
- Início súbito, sem explicação aparente
- Associada a dor de cabeça intensa
- Junto com fraqueza, alteração na fala ou dificuldade de equilíbrio
- Após trauma na cabeça ou no rosto
Nesses casos, a visão dupla pode estar relacionada a causas neurológicas que precisam de investigação com urgência.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
A avaliação começa com um exame oftalmológico completo, incluindo a medida da movimentação dos olhos e o ângulo do desvio, quando presente. Dependendo do quadro, também posso solicitar exames de imagem para investigar a causa em conjunto com outros especialistas.
O tratamento varia conforme a origem: prismas incorporados aos óculos, toxina botulínica ou cirurgia, dependendo do ângulo do desvio e da causa identificada.
O que você não deve fazer
Não ignore uma visão dupla de início súbito esperando que ela passe sozinha, principalmente se vier acompanhada de outros sintomas neurológicos. Procure avaliação médica o quanto antes nesses casos.
Um sintoma que merece investigação
A visão dupla nunca deve ser ignorada. Identificar a causa correta é o que permite direcionar o tratamento certo, seja ele relacionado ao estrabismo, seja a outra condição.
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Escrito por Dra. Laís Sakano · Oftalmologista, especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Membro titular do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE) e chefe do Ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).


