Olhinho torto para dentro, para fora ou para cima? Essa é a primeira pergunta que costumo fazer quando os pais chegam ao consultório preocupados com o olhar do filho. A resposta importa, e muito, porque o tipo de estrabismo é o que define o melhor caminho de tratamento.
Existem diferentes formas de classificar o desvio ocular. A mais prática para entender o diagnóstico divide o estrabismo em três grandes tipos: horizontal, vertical e torcional. Cada um tem causas, características e abordagens próprias.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria em Sorocaba, e neste texto explico a diferença entre cada tipo de desvio e como cada um costuma ser tratado.
O que é estrabismo horizontal?
É o tipo mais comum. O olho desvia para dentro (esotropia) ou para fora (exotropia) em relação à posição correta.
A esotropia é quando o olho vira em direção ao nariz. É frequente em crianças com hipermetropia não corrigida. Já a exotropia é quando o olho desvia em direção à orelha, podendo aparecer de forma intermitente, especialmente ao sol ou quando a criança está cansada.
Na maioria dos casos de estrabismo infantil, é exatamente esse desvio horizontal que os pais percebem primeiro.
O que é estrabismo vertical?
Um olho fica em posição mais alta (hipertropia) ou mais baixa (hipotropia) do que o outro. É menos comum e, com frequência, aparece associado ao estrabismo horizontal.
Algumas causas incluem paralisia de músculo ocular, alterações estruturais da órbita e condições neurológicas. Por isso, o estrabismo vertical exige uma investigação mais detalhada na consulta. Um sinal que os pais costumam notar: a criança inclina ou vira a cabeça para compensar o desvio e enxergar mais confortavelmente.
O que é estrabismo torcional?
É o tipo mais sutil. O olho gira levemente em torno do próprio eixo, como se estivesse rodado. Raramente aparece sozinho e quase sempre vem acompanhado de um desvio vertical.
O sintoma mais relatado é a visão de imagens inclinadas, que causa desconforto e desequilíbrio, especialmente em adultos.
Como eu diferencio cada tipo na consulta?
A identificação precisa é feita com testes específicos:
- Cover test, que cobre um olho e observa o movimento do outro
- Teste de Hirschberg, que analisa o reflexo da luz na córnea
- Avaliação da motilidade ocular em todas as direções
- Prismas, que medem o ângulo exato do desvio
Essas avaliações em conjunto permitem classificar o desvio com precisão e definir o melhor plano de tratamento.
Qual é o tratamento para cada tipo?
O tratamento varia conforme o tipo, o ângulo do desvio e a idade do paciente:
- Estrabismo horizontal leve com componente de grau: óculos podem reduzir o desvio
- Desvios maiores ou que não respondem ao óculos: cirurgia dos músculos oculares
- Estrabismo vertical e torcional: frequentemente cirúrgico, com planejamento cuidadoso
- Em casos selecionados: aplicação de toxina botulínica
Não existe tratamento padrão. Cada caso é avaliado individualmente.
O que você não deve fazer
Não espere o desvio “passar sozinho” ou tentar identificar o tipo em casa comparando fotos na internet. Diagnósticos parecidos exigem tratamentos diferentes, e um erro de avaliação pode atrasar o momento certo de intervir.
Cada olhar merece uma avaliação individual
Saber o tipo de estrabismo é o primeiro passo para um tratamento correto. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhores tendem a ser os resultados, para crianças e para adultos.
Agende sua consulta
Tem dúvidas sobre o tipo de desvio do seu filho ou sobre o seu próprio caso? Fale comigo e agende sua avaliação em Sorocaba.
Escrito por Dra. Laís Sakano · Oftalmologista, especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Membro titular do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE) e chefe do Ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).


