“Doutora, isso tem cura?” É uma das perguntas mais frequentes que escuto assim que confirmo o diagnóstico de estrabismo. A resposta não é um simples sim ou não, porque depende muito do tipo de desvio, da causa e da idade em que o tratamento começa.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria em Sorocaba, e neste texto explico o que é realista esperar do tratamento em cada situação.
O que significa “ter cura” no caso do estrabismo?
Em muitos casos, o tratamento consegue alinhar os olhos e manter esse alinhamento de forma estável ao longo do tempo. Quando isso acontece, na prática, o desvio deixa de existir e a função visual se normaliza.
Já em outras situações, o objetivo é controlar o desvio e evitar suas consequências, como a ambliopia, mesmo que seja necessário acompanhamento contínuo.
Em quais casos o estrabismo tem resolução completa?
Alguns exemplos onde o resultado costuma ser bastante satisfatório:
- Esotropia acomodativa, corrigida apenas com o uso correto dos óculos
- Casos operados com planejamento adequado, em que o alinhamento se mantém estável a longo prazo
- Estrabismos diagnosticados e tratados precocemente, antes de causarem ambliopia
Em quais casos o estrabismo exige acompanhamento contínuo?
Casos ligados a paralisias de nervos oculares, doenças neurológicas ou síndromes específicas tendem a precisar de acompanhamento mais prolongado, já que a causa de base pode continuar influenciando o alinhamento dos olhos ao longo da vida.
A cirurgia garante que o estrabismo nunca mais volte?
Não existe garantia absoluta em nenhuma cirurgia. A maioria dos pacientes mantém um bom alinhamento a longo prazo, mas em alguns casos pode haver hipocorreção, hipercorreção ou recidiva do desvio, especialmente em crianças muito pequenas cujo olho ainda está em crescimento.
Por isso, o acompanhamento pós-operatório faz parte do tratamento, mesmo depois de um resultado inicial satisfatório.
O que define o prognóstico?
Alguns fatores costumam pesar bastante no resultado final:
- Idade em que o tratamento começou
- Tipo e causa do estrabismo
- Presença ou não de ambliopia associada
- Adesão ao uso de óculos ou tampão quando indicados
- Regularidade no acompanhamento médico
O que você não deve fazer
Não abandone o acompanhamento médico assim que o olho parecer alinhado, e não compare o prognóstico do seu caso com o de outra pessoa. Cada tipo de estrabismo evolui de um jeito, e só o acompanhamento contínuo confirma se o resultado está estável.
Cada caso tem seu próprio caminho
A maioria dos casos de estrabismo tem tratamento eficaz, seja com óculos, seja com cirurgia. O importante é entender que o prognóstico é individual e que o acompanhamento faz parte do cuidado, mesmo depois de um bom resultado.
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Escrito por Dra. Laís Sakano · Oftalmologista, especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Membro titular do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE) e chefe do Ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).


