“O olho dele desvia, mas disseram que é por causa da síndrome.” “Ela tem paralisia cerebral, será que vale tratar o olho?” Essas são falas que ouço de famílias que já cuidam de muitas frentes de saúde ao mesmo tempo e acabam deixando a visão em segundo plano.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria em Sorocaba, e neste texto explico por que o estrabismo é mais frequente nessas crianças e por que vale acompanhá-lo e tratá-lo, respeitando as particularidades de cada uma.
Por que o estrabismo é mais frequente nessas condições?
Nas crianças com síndrome de Down e com paralisia cerebral, o estrabismo aparece com mais frequência do que na população geral. Isso acontece por uma combinação de fatores: alterações no controle neurológico do alinhamento dos olhos, erros de refração mais elevados e, em alguns casos, características estruturais que interferem no equilíbrio dos músculos oculares.
Como identificar o desvio?
O desvio pode ser evidente ou discreto. Em algumas crianças, as pregas na região interna da pálpebra e a ponte nasal mais achatada podem dar a impressão de desvio quando os olhos estão alinhados, e o contrário também acontece: um desvio real pode passar despercebido por ser atribuído à condição de base. Por isso, a avaliação especializada é o que separa uma coisa da outra.
Sinais como inclinar a cabeça, fechar um dos olhos, tropeçar com frequência ou ter dificuldade de fixar o olhar merecem atenção.
Como é a consulta nesses casos?
A consulta é adaptada ao ritmo e à capacidade de colaboração de cada criança. Costumo reservar mais tempo, usar objetos e brinquedos de fixação, repetir etapas quando necessário e priorizar exames que não dependem de respostas verbais. A medida do grau sob cicloplegia é especialmente importante, porque erros de refração relevantes são comuns e influenciam o desvio.
Quais tratamentos são possíveis?
Os princípios são os mesmos aplicados a outras crianças, com adaptações:
- Correção do grau com óculos, que muitas vezes já melhora o desvio
- Tratamento da ambliopia, quando presente
- Toxina botulínica ou cirurgia dos músculos oculares, em casos selecionados
- Acompanhamento próximo, já que o desvio pode mudar ao longo do desenvolvimento
A indicação de cirurgia é individualizada e considera também a saúde geral da criança e a segurança da anestesia, em diálogo com a equipe que a acompanha.
Vale a pena tratar?
Sim. Enxergar bem e com os olhos alinhados favorece a exploração do ambiente, a interação com as pessoas e o aprendizado. Os objetivos do tratamento são definidos com a família e podem incluir melhorar a função visual, o conforto e o alinhamento, sempre respeitando o que é possível para cada criança.
O que você não deve fazer
Não aceite o desvio como algo que “é assim mesmo por causa da condição” sem uma avaliação oftalmológica, e não abandone o uso dos óculos quando a criança estranhar no início. A adaptação costuma levar tempo, e o acompanhamento com o oftalmologista ajuda a encontrar estratégias que funcionem para a rotina da família.
A visão também faz parte do cuidado integral
Cuidar dos olhos de uma criança com necessidades especiais é parte do cuidado integral. Um acompanhamento regular ajuda a identificar cedo o que precisa de tratamento e a garantir que a visão contribua da melhor forma possível para o desenvolvimento.
Agende sua consulta
Seu filho tem síndrome de Down ou paralisia cerebral e você notou algum desvio nos olhos? Fale comigo e agende uma avaliação em Sorocaba.
Escrito por Dra. Laís Sakano · Oftalmologista, especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Membro titular do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE) e chefe do Ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).


