“O olho começou a desviar do nada, de um dia para o outro.” Esse relato costuma acender um sinal de alerta diferente dos outros tipos de estrabismo. Quando o desvio aparece de forma súbita, principalmente em adultos, muitas vezes a causa não está no equilíbrio habitual dos músculos oculares, mas em uma paralisia que afeta o nervo responsável por movimentar o olho.
Esse tipo de estrabismo tem características próprias e exige uma investigação diferente da que costumo fazer nos casos mais comuns da infância.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria em Sorocaba, e neste texto explico o que é o estrabismo paralítico, suas causas e como costumo conduzir a investigação e o tratamento.
O que é estrabismo paralítico?
É o desvio ocular causado pela paralisia ou fraqueza de um dos nervos que controlam os músculos do olho. Existem três nervos cranianos responsáveis por esse movimento: o terceiro, o quarto e o sexto nervo craniano. Quando um deles para de funcionar corretamente, o músculo que ele comanda perde força, e o olho passa a ser puxado pelos músculos saudáveis do lado oposto, gerando o desvio.
Quais são as causas mais comuns?
As causas variam bastante conforme a idade e o contexto de saúde da pessoa:
- Diabetes, que pode afetar a irrigação sanguínea do nervo
- Traumas na cabeça ou no rosto
- Aneurismas ou outras alterações vasculares
- Tumores que comprimem o trajeto do nervo
- Infecções ou inflamações que afetam os nervos cranianos
- Causas congênitas, presentes desde o nascimento
Em uma parte dos casos, principalmente em pessoas mais velhas com diabetes ou hipertensão, a causa é vascular e tende a melhorar sozinha ao longo de alguns meses.
Quais são os sintomas do estrabismo paralítico?
O sintoma mais característico é a visão dupla de início súbito, muitas vezes acompanhada de dificuldade para mover o olho em determinadas direções. Também é comum a pessoa inclinar ou virar a cabeça para tentar compensar o desvio e reduzir a visão dupla, uma postura que costuma se tornar bastante marcada nesse tipo de estrabismo.
Como é feita a investigação?
Além do exame oftalmológico completo, com avaliação detalhada da motilidade ocular em todas as direções do olhar, pode ser necessário trabalhar em conjunto com outros especialistas, como neurologistas, para investigar a causa da paralisia. Dependendo do quadro, exames de imagem e exames de sangue podem ser solicitados para identificar a origem do problema.
Como é o tratamento?
O tratamento depende da causa e da fase em que o quadro se encontra. Em casos recentes, especialmente os de origem vascular, costumo acompanhar por um período, já que uma parte melhora espontaneamente em até seis meses a um ano. Nesse período, prismas incorporados aos óculos podem aliviar a visão dupla. Quando o quadro se estabiliza sem melhora completa, a toxina botulínica ou a cirurgia podem ser indicadas para corrigir o desvio residual.
O que você não deve fazer
Não ignore um desvio ocular de início súbito, principalmente se vier acompanhado de dor de cabeça intensa, alterações na fala, fraqueza ou queda da pálpebra. Procure avaliação médica com urgência, já que algumas causas de paralisia exigem investigação imediata.
Um desvio que pede investigação além do olho
O estrabismo paralítico costuma ser um sinal de que algo além do alinhamento ocular merece atenção. Identificar a causa correta, muitas vezes em conjunto com outros especialistas, é o que direciona o tratamento certo e protege a saúde de forma mais ampla.
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Escrito por Dra. Laís Sakano · Oftalmologista, especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Membro titular do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE) e chefe do Ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).


