O olho vai para dentro ou para fora? Essa pergunta simples costuma abrir a conversa quando os pais percebem que o olhar do filho desvia em certas situações. E a resposta muda bastante o rumo do tratamento.
Esotropia e exotropia são os dois principais tipos de estrabismo horizontal, e cada uma tem características, causas e abordagens terapêuticas diferentes.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria em Sorocaba, e neste texto explico a diferença entre as duas e como costumo conduzir cada caso.
O que é esotropia?
É o desvio do olho em direção ao nariz, o que o senso comum chama de “olho cruzado”. É o tipo mais comum de estrabismo em bebês e crianças pequenas.
Uma causa frequente é a hipermetropia não corrigida. Quando a criança força o foco para enxergar de perto, acaba puxando o olho para dentro. Nesses casos, o óculos com a correção adequada pode reduzir ou até eliminar o desvio sem cirurgia.
Alguns tipos de esotropia aparecem logo nos primeiros meses de vida. Outros surgem depois dos dois anos, associados ao grau. Cada um tem seu momento ideal de intervenção.
O que é exotropia?
É o desvio do olho em direção à orelha, o chamado “olho para fora”. É muito comum aparecer de forma intermitente, especialmente:
- Ao sol ou em ambientes muito iluminados
- Quando a criança está cansada ou com sono
- Em momentos de distração ou devaneio
Os pais frequentemente relatam que o desvio aparece e desaparece. Isso é característico da exotropia intermitente e não significa que o problema seja menor. O acompanhamento é fundamental para avaliar a frequência do desvio e definir o momento certo de agir.
Quais são as diferenças no tratamento?
A forma de tratar depende do tipo de desvio, do ângulo e da frequência:
- Esotropia com hipermetropia: óculos como primeiro passo
- Esotropia sem componente de grau ou com ângulo grande: cirurgia dos músculos oculares
- Exotropia intermitente leve: acompanhamento e, em alguns casos, oclusão do olho dominante
- Exotropia constante ou com ângulo significativo: cirurgia
Em ambos os casos, a ambliopia, o chamado olho preguiçoso, precisa ser avaliada e tratada em paralelo.
Como saber qual é o tipo do meu filho?
Só é possível identificar com precisão através de uma avaliação oftalmológica completa. Na consulta, faço o cover test, meço o ângulo do desvio com prismas e avalio a visão de cada olho separadamente. O diagnóstico correto é o ponto de partida de todo o plano de tratamento.
O que você não deve fazer
Evite esperar a criança crescer na expectativa de que o desvio desapareça sozinho, principalmente na exotropia intermitente. Adiar a avaliação pode permitir que a ambliopia se instale e torne o tratamento mais demorado.
Reconhecer cedo faz toda a diferença
Esotropia e exotropia pedem condutas específicas. Reconhecer o desvio cedo e buscar avaliação especializada é o caminho mais seguro para proteger a visão e o desenvolvimento da criança.
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Escrito por Dra. Laís Sakano · Oftalmologista, especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Membro titular do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE) e chefe do Ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).


