“Dizem que estrabismo passa sozinho.” “Disseram que a cirurgia é feita com laser.” “Falaram que adulto não pode operar.” Poucas condições geram tantas frases prontas quanto o estrabismo, e muitas delas acabam atrasando o tratamento.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria em Sorocaba, e neste texto separo o que é mito do que é verdade nas dúvidas que mais escuto no consultório.
Mito: o estrabismo passa sozinho com o tempo
Na maioria dos casos, não. Um leve desalinhamento é esperado nos primeiros meses de vida, mas um desvio que persiste depois dessa fase precisa de avaliação. Esperar o desvio “resolver sozinho” pode permitir que a ambliopia se instale e torne o tratamento mais difícil.
Mito: brincar de olhar vesgo faz o olho ficar torto
Não faz. O estrabismo tem origem no equilíbrio dos músculos oculares e no controle neurológico do alinhamento, e não em caretas ou brincadeiras. Uma criança que faz “olho vesgo” de propósito não está causando o problema.
Mito: quem tem estrabismo só precisa de óculos
Depende do tipo. Em alguns casos, como a esotropia ligada à hipermetropia, o óculos pode reduzir ou até eliminar o desvio. Em outros, ele é apenas uma parte do tratamento, e a cirurgia dos músculos oculares pode ser necessária.
Mito: a cirurgia de estrabismo é feita com laser
Não é. A cirurgia é feita nos músculos que movem o olho, por fora do globo ocular, e não dentro dele. Ela reposiciona os músculos para reequilibrar o alinhamento, sem uso de laser.
Mito: adulto não pode operar estrabismo
Pode, sim. Não existe idade limite para a avaliação e, em muitos casos, a cirurgia é uma opção eficaz também para adultos, inclusive para quem convive com o desvio desde a infância.
Mito: operar estrabismo é só uma questão estética
O alinhamento dos olhos tem benefício estético e psicossocial reais, e isso já é um motivo legítimo para tratar. Mas, dependendo do caso, a cirurgia também pode aliviar a visão dupla, melhorar o conforto visual e favorecer o uso dos dois olhos em conjunto.
Verdade: quanto mais cedo o diagnóstico, melhor
Essa é uma das poucas afirmações que se sustenta em praticamente todos os casos. Em crianças, o diagnóstico precoce permite proteger a visão e tratar a ambliopia dentro do período em que o cérebro responde melhor. Em adultos, identificar a causa cedo ajuda a definir o tratamento mais adequado.
O que você não deve fazer
Não tome decisões sobre o tratamento com base em frases ouvidas de terceiros ou em relatos de casos que parecem iguais ao seu. Cada estrabismo tem seu tipo, sua causa e seu momento ideal de tratamento, e só a avaliação individual confirma o caminho certo.
Informação certa evita atrasos no tratamento
Desmistificar o estrabismo é o primeiro passo para que as famílias e os adultos procurem avaliação no momento certo, sem medo e sem adiar por causa de ideias que não correspondem à realidade.
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Escrito por Dra. Laís Sakano · Oftalmologista, especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Membro titular do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE) e chefe do Ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).


