“Eu tive estrabismo quando era criança. Meu filho vai ter também?” Essa é uma das perguntas mais comuns que ouço de pais que já passaram pela própria experiência com o desvio ocular e temem repetir a história com os filhos.
A resposta não é simples, porque o estrabismo tem um componente genético real, mas não segue uma regra fixa como algumas doenças hereditárias clássicas. Ter um pai ou uma mãe com estrabismo aumenta a chance, mas não é uma sentença.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria em Sorocaba, e neste texto explico o que a ciência sabe sobre a herança do estrabismo e o que isso muda na prática para a sua família.
O estrabismo pode ser hereditário?
Sim, em muitos casos existe um componente genético. Crianças que têm pai, mãe ou irmãos com estrabismo apresentam uma chance maior de desenvolver o desvio do que crianças sem esse histórico familiar. Isso é especialmente verdadeiro para os tipos mais comuns, como a esotropia acomodativa, ligada à hipermetropia, que também tem forte componente hereditário.
Qual é a chance real de meu filho ter estrabismo?
Não existe um número único que sirva para todas as famílias, porque a chance depende do tipo de estrabismo, de quantos parentes próximos são afetados e de outros fatores associados, como o grau de hipermetropia herdado. De forma geral, ter um histórico familiar positivo aumenta o risco em comparação à população geral, mas a maioria das crianças com um parente com estrabismo não desenvolve o desvio.
A genética é a única explicação?
Não. O estrabismo é o que chamamos de condição multifatorial, ou seja, resulta da combinação de predisposição genética com outros fatores, como prematuridade, baixo peso ao nascer, paralisias cerebrais, síndromes genéticas específicas ou simplesmente o grau de hipermetropia da criança. Ter histórico familiar não significa que o desvio vá aparecer, e não ter histórico familiar não significa que a criança esteja livre do risco.
O que muda no acompanhamento se há histórico familiar?
Quando existe estrabismo na família, recomendo redobrar a atenção à avaliação oftalmológica de rotina, sem esperar sinais visíveis do desvio para agir. Isso significa:
- Levar a criança à primeira avaliação oftalmológica mais cedo, mesmo sem sintomas aparentes
- Contar o histórico familiar completo ao oftalmologista, incluindo o tipo de estrabismo dos parentes, se souber
- Manter o acompanhamento periódico nos primeiros anos de vida, período de maior risco de aparecimento
O que você não deve fazer
Não assuma que, por ter tido estrabismo na infância e ter sido corrigido, seu filho necessariamente vai desenvolver o mesmo problema, nem relaxe a rotina de avaliação por não ter esse histórico na família. Em ambos os casos, o acompanhamento oftalmológico de rotina é o que realmente detecta o desvio a tempo.
Histórico familiar é informação, não é destino
Saber que existe estrabismo na família é uma informação valiosa para orientar o acompanhamento, não um prognóstico fechado. O que realmente protege a visão do seu filho é a avaliação oftalmológica regular, independentemente do histórico genético.
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Tem histórico de estrabismo na família e quer saber como acompanhar a visão do seu filho? Fale comigo e agende uma avaliação em Sorocaba.
Escrito por Dra. Laís Sakano · Oftalmologista, especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Membro titular do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE) e chefe do Ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).


