“A médica disse que vai precisar de cirurgia. Mas como ela sabe qual músculo operar?” Essa é uma das perguntas mais comuns que recebo no consultório antes do procedimento, e é uma ótima pergunta.
O planejamento cirúrgico do estrabismo não é uma decisão rápida. É um processo que começa muito antes da sala de cirurgia.
Sou a Dra. Laís Sakano, oftalmologista especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria em Sorocaba, e neste texto explico como chego até a definição da técnica cirúrgica de cada paciente.
O que é o planejamento cirúrgico do estrabismo?
É o conjunto de avaliações e medidas que determinam quais músculos oculares serão operados, em qual olho e o quanto cada músculo precisa ser ajustado.
O olho é movido por seis músculos extraoculares. O desvio ocorre quando esses músculos estão em desequilíbrio. A cirurgia reequilibra esse sistema ajustando a força ou a posição dos músculos envolvidos.
Quais informações entram no planejamento?
Levo em conta um conjunto completo de dados antes de definir a técnica:
- Tipo de estrabismo (horizontal, vertical, torcional ou combinado)
- Ângulo do desvio medido com prismas em diferentes posições do olhar e distâncias
- Se o desvio é constante ou intermitente
- Histórico de cirurgias anteriores no olho
- Grau de visão de cada olho
- Idade do paciente
- Resultado da avaliação da motilidade ocular
Cada uma dessas informações influencia a escolha dos músculos e a quantidade de correção planejada.
Quantos músculos são operados?
Na maioria dos casos, dois músculos são ajustados, geralmente um em cada olho ou dois no mesmo olho, dependendo do tipo e do ângulo do desvio.
A cirurgia pode envolver dois tipos de intervenção nos músculos: a ressecção, que encurta o músculo e o fortalece, e o recesso, que recua o músculo e o enfraquece. Essa combinação é calculada com base no ângulo medido e nas tabelas de dosagem que utilizo.
Quando o planejamento muda?
O planejamento pode ser revisado se o desvio mudar entre a consulta e a cirurgia. Por isso, em casos de estrabismo instável, é comum aguardar a estabilização do ângulo antes de operar.
Além disso, crianças que ainda estão usando óculos ou tampão passam por uma reavaliação antes da cirurgia, pois o desvio residual após a correção óptica é o que de fato será operado.
O que você não deve fazer
Evite comparar o planejamento cirúrgico do seu caso com o de outro paciente, mesmo que o tipo de estrabismo pareça igual. O ângulo do desvio, a idade e o histórico de cada pessoa mudam a técnica escolhida.
Um plano individual para cada olhar
Não existe fórmula fixa. O resultado depende diretamente da qualidade das medidas obtidas na consulta e da experiência da especialista em interpretar e aplicar esses dados.
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Quer entender se a cirurgia de estrabismo é indicada para o seu caso ou do seu filho? Fale comigo e agende uma consulta em Sorocaba.
Escrito por Dra. Laís Sakano · Oftalmologista, especialista em Estrabismo e Oftalmopediatria · CRM-SP 184.888 · RQE 85.844 · Membro titular do Centro Brasileiro de Estrabismo (CBE) e chefe do Ambulatório de Oftalmopediatria do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS).


